As "Oficinas Querô" nasceram como oficinas de preparação de elenco para o longa-metragem Querô, uma produção da Gullane Filmes, com direção de Carlos Cortez.
O filme fala de meninos que vivem à margem da educação, da política, da cultura. Meninos que não tinham voz dentro da sociedade. Então, nada mais justo do que dar voz para esses garotos dentro do longa-metragem. O diretor do filme, Carlos Cortez, decidiu transformar garotos que viviam em regiões de alto risco social na Baixada Santista em atores: “Seriam eles que conduziriam a ação e dariam mais verdade e alma para o projeto através de suas experiências de vida”.
Para que essa proposta se concretizasse, foi realizada uma oficina de atuação coordenada pelo preparador de elenco Luiz Mário Vicente. Depois de 1200 testes, 200 adolescentes participaram de oficinas multidisciplinares durante seis meses e 40 foram convidados a participar do filme.
Os jovens tiveram aulas de expressão corporal, capoeira e interpretação e participaram de atividades que tinham o intuito de despertar neles o espírito questionador, a colaboração no trabalho em grupo, a consciência social e a disciplina no trabalho.
Para que a voz que foi dada não se perdesse, a Gullane Filmes se uniu ao UNICEF e a parceiros locais para criar o projeto social “Oficinas Querô – Empreendedorismo e Cidadania através do Cinema”. Os jovens integrantes encararam a mudança de enfoque do aprendizado: no lugar de atuar em filmes, eles passaram a fazer seus próprios filmes. “O intuito foi fazer com que a partir da produção de um curta-metragem, eles desenvolvessem habilidades não só técnicas, mas também humanas através de um olhar questionador atento para o mundo em que vivem. Olhar que se transformou em um empreendimento audiovisual, em uma história a ser contada”, explica Carlos Cortez, que também foi um dos idealizadores do projeto.
As “Oficinas Querô” proporcionam através da produção audiovisual – tão atraente para os jovens – uma capacitação técnica paralela ao desenvolvimento de habilidades para uma transformação social.
Os adolescentes realizam filmes de curta-metragem orientados por grandes profissionais do audiovisual brasileiro. Dedicam-se a todas as fases que uma produção profissional exige, desde sua idealização, desenvolvimento de roteiro, planejamento, elaboração de projeto executivo até sua viabilização financeira, produção, finalização e lançamento público. E ainda participam de atividades complementares como oficinas de informática, de expressão verbal, de gestão e administração, de cidadania, além de passeios culturais.
Hoje, as “Oficinas Querô” estão em seu terceiro ano. O projeto dobrou o número de participantes com uma nova unidade no Guarujá e inicia em breve atividades em São Paulo.
A experiência vivida por esses jovens será multiplicada com a publicação de um livro do UNICEF sobre este projeto, que ensinou seus seus integrantes a batalhar para a realização de seus desejos, em grupo ou individualmente, ampliando o universo em que vivem e trabalhando para a construção de um mundo melhor.